Logo vem do grego lógos e, segundo meu pai Aurélio, significa palavra, tratado, estudo, ciência, faculdade de raciocinar, razão, inteligência, entendimento, que estuda, que trata.
Marca vem do alemão markэ. Markэ pronuncia-se “marka” e a grafia varia entre “marke” e “marka” por causa da ausência da letra э em nosso alfabeto. Nos bons dicionários germânicos encontramos “marke” e nos bons dicionários latinos encontramos “marka”. Depende, basicamente, de onde o dicionário foi feito.
O argumento contra o uso do termo “logomarca” baseia-se inteiramente na falsa idéia de que markэ é traduzida como “significado”. O erro é compreensível: alemão não é dos idiomas mais fáceis. Entretanto, markэ significa marca (como em “marcar algo”), identificação de uma empresa ou produto, selo gráfico, formato de um território… Qualquer coisa menos “significado”.
Temos, portanto, um radical que pode ser entendido como estudo e outro claramente gráfico.
Copio aqui, para os mais curiosos, a definição do dicionário alemão: eine Verbindung zwischen einem Namen und einem dazugehörigen Logo, die zusammen für ein bestimmtes Produkt stehen, und die das Symbol für die Qualität vom Produkt repräsentiert. A definição chega até a falar em produto, logo, representação, etc.
Mesmo em dicionários online de alemão, a tradução nunca passa pelo sentido que daria uma conotação redundante ao termo.
Supondo que a tradução para signus fosse possível, mesmo esta não seria de significado e sim de signo gráfico, símbolo. Aliás, vale a lembrança que signus é símbolo desde que o mundo fala latim. In Hoc Signus vinces quer dizer “Com este Símbolo Vencerás” e é uma referência a Constantino, o Grande, que passou a usar a frase como lema após adotar a cruz como símbolo do cristianismo.
Os demais termos – logotipo, identidade visual, etc – também estão corretos, mas estes não sofreram uma campanha a favor de sua extinção, então não sinto que seja necessário defendê-los.
Resumindo, então, use o termo que quiser e seja feliz!
Poucos termos geram tanta discussão no design brasileiro quanto “logomarca”. Presente no vocabulário popular, em briefings e até em comunicações empresariais, a palavra levanta uma questão importante: ela está correta ou é um erro?
A resposta não é simplesmente “sim” ou “não”. Para entender de verdade, é preciso olhar sob três perspectivas: linguística, técnica e de uso no mercado.
2. Origem da palavra “logomarca”
O termo “logomarca” é formado por:
- “logo” — derivado do grego lógos, que significa “palavra”, “discurso” ou “conceito”
- “marca” — sinal distintivo de uma empresa, produto ou serviço
O problema é que, no contexto do design, “logo” já carrega o sentido de identificação visual ligada à marca. Assim, “logomarca” se torna uma construção redundante — algo como “marca da marca”.
3. O que dizem os especialistas em design
No campo profissional, especialmente em branding e design gráfico, o uso de “logomarca” é geralmente evitado.
Os termos considerados mais adequados são:
-
Logotipo → representação visual baseada em texto
Exemplo: o nome estilizado da Coca-Cola -
Símbolo → elemento gráfico sem texto
Exemplo: o “swoosh” da Nike - Marca → conceito mais amplo (percepção, posicionamento, identidade)
- Identidade visual → sistema completo (cores, tipografia, aplicações)
👉 Na prática profissional, dizer “logotipo” ou simplesmente “marca” demonstra maior precisão técnica.
4. O que dizem os linguistas e dicionários
Apesar das críticas técnicas, “logomarca”:
- Já aparece em dicionários da língua portuguesa
- É amplamente compreendida no Brasil
- É usada em mídia, publicidade e linguagem cotidiana
Ou seja, do ponto de vista linguístico, a palavra “existe” porque é usada e entendida.
👉 Esse é um caso clássico em que o uso popular legitima o termo, mesmo que ele não seja o mais preciso.
5. O uso no mercado brasileiro
No Brasil, “logomarca” é extremamente comum em:
- Pequenas empresas
- Briefings de clientes
- Materiais informais
Já em contextos mais técnicos ou estratégicos, como:
- Agências de branding
- Departamentos de design
- Projetos de posicionamento de marca
… o termo tende a ser evitado.
👉 Isso cria um “choque de linguagem” entre clientes e profissionais.
6. Por que essa confusão acontece?
Existem três razões principais:
1. Simplificação da linguagem
“Logomarca” soa mais intuitivo para quem não é da área.
2. Falta de educação em design
Termos como logotipo, símbolo e identidade visual não são amplamente ensinados fora do meio profissional.
3. Influência cultural
O termo se consolidou no Brasil, mesmo não sendo comum em outros idiomas.
7. Usar “logomarca” é errado?
Depende do contexto:
✔ Em contextos informais
Não é considerado errado. A comunicação funciona.
⚠️ Em contextos profissionais
É impreciso e pode indicar falta de domínio técnico.
8. Impacto na comunicação profissional
A escolha das palavras afeta diretamente:
- Credibilidade
- Clareza do briefing
- Alinhamento entre cliente e designer
Por exemplo:
- “Preciso de uma logomarca” → pode gerar interpretações diferentes
- “Preciso de um logotipo com símbolo” → é mais claro
9. Comparação prática
| Termo | Uso recomendado | Precisão técnica |
|---|---|---|
| Logomarca | Informal | Baixa |
| Logotipo | Profissional | Alta |
| Marca | Universal | Alta |
| Identidade visual | Estratégico | Muito alta |
10. Conclusão
A discussão sobre “logomarca” revela algo maior do que apenas uma questão de vocabulário.
Ela mostra a diferença entre:
- Linguagem popular (o que as pessoas falam)
- Linguagem técnica (o que os profissionais usam)
👉 Em resumo:
- “Logomarca” existe e é amplamente usada
- Mas é redundante do ponto de vista técnico
- E deve ser evitada em contextos profissionais mais exigentes
🧠 Insight final
Mais importante do que “certo ou errado” é entender o contexto:
Boa comunicação não é só usar o termo correto — é usar o termo que o outro entende.
Profissionais experientes sabem alternar entre precisão técnica e linguagem acessível, sem perder clareza.

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