Business Model Canvas: Ferramenta estratégica para empreendedores

 


Modelos de negócios inovadores são emblemáticos nos dias de hoje. Apesar disso, continuam pouco compreendidos, ao mesmo tempo em que transformam a paisagem competitiva nas indústrias. Business Model Canvas (BMC) é uma ferramenta ideal para os empreendedores, simples e testada para compreender, projetar, retrabalhar e implementar modelos de negócio. Quer saber mais sobre BMC? Confira abaixo a entrevista com Daniel Wildt (@dwildt), especialista sobre o tema e desenvolvedor de softwares.



WIDE Para quem ainda não conhece, o que é Business Model Canvas e para que serve?
DANIEL WILDT
 A palavra que mais tenho curtido ultimamente é contexto. E essa palavra eu associo muito quando falo sobre o Business Model Canvas (BMC). Você consegue conhecer muito rápido sobre um produto ou serviço só de olhar o BMC dele. Ele é um documento vivo, que pode mudar todos os dias, conforme vamos aprendendo sobre o que estamos fazendo. Um novo contato pelo site, um novo contato com investidor, uma nova dica de um mentor, tudo pode fazer com o que o BMC mude de alguma forma. O principal é entender cada parte do canvas e saber como ele pode ajudar nos questionamentos do negócio em questão.

Podemos pensar sobre o que é o negócio - quem é o nosso público-alvo, que valor entregamos, como os clientes que desejamos são encontrados, como funciona o atendimento aos clientes, o relacionamento, para criar não só clientes, mas pessoas que curtem a causa que está sendo trabalhada, como se formam os fãs? etc.

Podemos pensar sobre como o negócio evolui e se sustenta - Como ganhamos dinheiro ou reputação? Digo reputação, caso o serviço em questão queira ganhar notoriedade pela quantidade de usuários que fazem parte da rede e não necessariamente pelo faturamento. Indo nesta mesma linha, onde investimos dinheiro para manter equipe, serviços e outros equipamentos para suportar toda a infraestrutura? Vamos viver de conteúdo e publicidade? Mensalidade dos usuários? Plano anual? Doações?

E podemos pensar sobre o que temos que fazer no dia-a-dia. Quais são as atividades que precisamos fazer para manter tudo funcionando? Quais recursos precisamos ter presentes no dia-a-dia para garantir o bom funcionamento? Luz? Canetas? Filmadora? Computadores? Uma cafeteira? E não menos importante, quem nos ajuda a crescer? Quem faz parte da nossa rede, nos indicando novos clientes, nos ajudando a divulgar o serviço ou produto em questão? Quem é a nossa rede de confiança?

Todas as perguntas vão ajudando na construção de um plano de negócios consistente, que aceita mudanças e vai se adaptando conforme a realidade vai se mostrando.

"O legal do BMC é que você pode começar bem pequeno, com uma ideia do que quer fazer acontecer"

WIDE Como a aplicação do Business Model Canvas pode facilitar a concepção de novos produtos e serviços e ajudar os empreendedores?
DANIEL WILDT
 O legal do BMC é que você pode começar bem pequeno, com uma ideia do que quer fazer acontecer. E aos poucos, através das perguntas que ele vai nos fazendo, podemos começar o preenchimento, conhecendo mais sobre uma determinada ideia. Com o BMC, somos questionados de diversas formas. E este é o legal dele. E a partir destes questionamentos, podemos fazer o mais importante: validar, buscar aprendizado validado, e aprender. Por meio do aprendizado, podemos descobrir coisas que funcionam e que não funcionam, e incrementar a nossa ideia. Fazer mais entrevistas, entregar pequenas partes do serviço para entender se faz sentido ou não. Podemos descobrir que precisamos de uma pessoa com um perfil Z para ajudar no desenvolvimento da ideia. Podemos descobrir que precisamos de mais dinheiro inicial para fazer acontecer. Podemos, inclusive, descobrir que a ideia se torna inválida e ainda descobrir formas de fazer a ideia iniciar com um investimento baixo, sem a necessidade de algum tipo de investimento maior financeiro.

WIDE O que significa para você Inovação nos modelos de negócios?
DANIEL WILDT
 A inovação pode partir de novas formas do consumidor pagar por um serviço ou produto. Agora com a conta de telefone se tornando um meio de pagamento, teremos um novo ciclo de inovação. Tivemos mais recentemente conceitos de compras coletivas e crowdfunding aparecendo e ajudando produtos e serviços a saírem do papel. Acho que vale muito olhar para o que outros países estão fazendo e testar se faz sentido aqui no Brasil, por exemplo. O mercado de compras coletivas explodiu no país assim. Crowdfunding também. Um exemplo de um serviço que sou fã é o Catarse, que trouxe o famoso modelo de negócios do kickstarter para o país. Mas isso não foi suficiente. Eles adicionaram uma causa. Ajudar projetos culturais. Foram sinceros. E isso fez toda a diferença.

Com isto estou dizendo que independente da forma que o produto ou serviço vai monetizar, precisamos adicionar mais um ingrediente. Uma causa, que seja sincera. Que seja parte do dia-a-dia de quem está por trás deste produto ou serviço.
"Por meio do aprendizado, podemos descobrir coisas que funcionam e que não funcionam, e incrementar a nossa ideia"

Sobre as formas de cobrar, existem algumas tendências que o mercado vai empurrando. Exemplo? Antes era impossível pensar em fazer um produto sem cobrar. Depois era obrigatório lançar gratuito e pensar em monetizar com propaganda. Hoje nos apps mobile, parece ser um crime cobrar de início. Você deve deixar as pessoas usarem o software e ter o conceito das compras internas, para que o usuário depois de curtir o software, possa comprar serviços e assim você pode monetizar.

O ponto mesmo é que cada serviço vai acabar encontrando a sua forma de fazer acontecer. O importante é estar preparado para falhar e estar sempre revisando seus planos, para ter a chance de mudar e trocar o que precisar ser trocado no modelo de monetização do negócio. Tenha clientes próximos para que você possa perguntar, e caso não consiga fechar uma venda, tente descobrir o motivo. Estes "quase clientes" podem ter respostas que vão ajudar no futuro.

WIDE Em 2011, Alex Osterwalder e Yves Pigneur publicaram "Business Model Generation", um verdadeiro manual para visionários. Em sua opinião, neste intervalo de dois anos, muita coisa mudou em relação à inovação e modelo de negócios desde a publicação do livro? E já é possível visualizar as futuras tendências?
DANIEL WILDT
 Na prática vários outros Canvas surgiram a partir deste. Eu acho que o livro trouxe uma nova forma de visualizar modelos de negócios. Mas vou falar aqui de algumas iniciativas que temos por aí, em se falando de canvas:

* Lean Canvas - Ash Maurya
O BMC adaptado para tratar mais diretamente de negócios digitais.
http://runninglean.co/

* Business Model You - by Timothy Clark, Alexander Osterwalder, Yves Pigneur
O BMC adaptado para falar sobre carreira.
http://businessmodelyou.com/

* Project Story - Luiz Parzianello (Brasil)
Um diagrama A3 para tornar o início de um projeto visível em uma folha A3.
http://www.scribd.com/doc/20714810/Project-Story-Template-EN-US -
Essa técnica puxa do Pensamento A3, que é muito usado para praticantes do Lean Thinking.

* Rainforest Canvas - Victor Hwang e Greg Horowitt
http://www.slideshare.net/ghorowitt/the-rainforest-240113
http://therainforestbook.com/

* Value Proposition Canvas - Também do Alex (vai virar um novo livro)
http://businessmodelalchemist.com/blog/2012/08/achieve-product-market-fit-with-our-brand-new-value-proposition-designer.html
http://www.businessmodelgeneration.com/downloads/value_proposition_canvas.pdf

* Lean Startup Machine Validation Board
http://betabeat.com/2012/10/lean-startup-machine-validatio-board-test-your-startup-idea-eric-ries-trevor-owens/
http://tech.co/wp-content/uploads/2012/10/Lean-Startup-Machine-validation-board.png

* Game Model Canvas - Julio Contreras (Brasil)
http://www.drecon.com.br/GMC/en/

* Learning 3.0 Canvas - Alexandre Magno (Brasil)
http://instagram.com/p/PC3-xIH76K/


WIDE Poderia dar algumas dicas para os empreendedores que estão começando?
DANIEL WILDT
 Validar conhecimento é uma outra forma de dizer "tente falhar o mais rápido possível". Descubra o quanto antes se tem algo errado no que você está fazendo. E a forma de saber disto é ir para a realidade, para as ruas, internet, vender o seu serviço e produto, e entender porque as pessoas compram ou não. A cada ciclo, o BMC vai sendo atualizado e você vai aprendendo, com a realidade, e não somente com seus pensamentos. Conheci várias pessoas que são milionárias no pensamento, mas que não possuem coragem de ir para a rua verificar se são mesmo ou não.

Resumo? Devemos ter medo sempre, mas não devemos ter medo de tentar nunca. O medo não é para nos travar, mas para nos tornar reflexivos e realistas. Pode dar errado. Vai dar errado. E se não der errado? Qualquer que seja o resultado, vai gerar aprendizado e um apontamento de uma nova direção. Seguimos para onde estamos indo ou trocamos algo?

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