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Como conquistar um investidor-anjo
Por Tiago Bosco em 20/01/2014
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O que seu projeto precisa para conquistar um investidor-anjo? Esta talvez seja atualmente uma das principais preocupações de nove entre dez novos empreendedores no país. Mas afinal, qual é a melhor abordagem para conquistar esse tipo de apoio?

Para abordar este tema e responder estas indagações, a Wide conversou com João Kepler (@JoaoKepler), empreendedor serial, escritor, Investidor-Anjo membro da @AnjosDoBrasil, Associado a @SeedInvest, Mentor na @StartYouUp e CEO no @ShowDeIngressos. Confira!



João Kepler


WIDE Qual o melhor caminho para uma empresa iniciar a busca por investidores-anjo? E como saber se é o momento certo ou não de atrair um investidor-anjo?
JOÃO KEPLER
A busca pelo investidor deve ser focada e de nicho. Se o business do Investidor-Anjo é o entretenimento, educação ou qualquer outro, as propostas de investimento devem ser enviadas por segmentos de mercado. A procura pelo Investidor-Anjo ideal começa pela pesquisa minuciosa e detalhada do perfil dele. Antes de qualquer abordagem, deve-se estudar a biografia do investidor, segui-lo nas redes sociais, analisar o portfólio de empresas que investiu, descobrir amigos em comum que possam recomendar e entender se esse investidor tem o perfil e pode realmente ajudar no plano de negócio. Essa percepção depende exclusivamente do empreendedor. Assim, não haverá perda de tempo de ambos os lados.

Antes de enviar seu projeto, faça um resumo, uma folha, um sumário executivo e envie isso somente de forma particular, para um de cada vez. Depois, se esse Anjo se interessar em conhecer o resto, ele vai pedir o projeto completo. Esse sumário deve ter um propósito e objetivos claros, informando o que é, qual o mercado, que problema resolve, qual a inovação, algumas possibilidades, possíveis retornos, público-alvo e competidores.

Essa abordagem pode ser feita diretamente para o Anjo via e-mail ou redes sociais ou no meu caso, pode ser enviada pelo site da entidade Anjos do Brasil. Os investidores também procuram por projetos que tenham sinergia com seus negócios e possam ser complementares em incubadores, aceleradoras, eventos, Demo Day, universidades, coworking e grupos em redes sociais.

Buscar ou não um investimento-anjo depende basicamente da condição financeira e do modelo de negócio. Para mim, não existe receita de bolo para o empreendedor; o que existe é bom senso - se você tem recursos próprios ou de parentes e é suficiente para bancar até gerar caixa e break-even, a princípio não faz muito sentido buscar um investimento financeiro, agora, se vai precisar de capital intensivo, de muito tempo de pesquisa, desenvolvimento ou aquisição de usuários e vai faltar fôlego ou um alto burn-rate, o caminho é submeter o projeto em algum programa ou buscar investimentos que possam bancar o "plano de vôo".

Existem negócios que não precisam de investimento em dinheiro e que podem ser tocados bootstrapping mesmo, porém, somente se o foco for a geração de caixa. O detalhe aí é que no meu caso como Investidor-Anjo, por exemplo, esses são os negócios que mais me atraem pois minha participação financeira será complementar na sobrevida da startup.

"O investimento-anjo não é um investimento tradicional, é principalmente mentoria, apoio, conselho, aval e networking"



WIDE Em suas palestras, você costuma dizer que a maior virtude do investidor-anjo brasileiro é ser um "ombro amigo", um apoiador incondicional. Por outro lado, quem está precisando de um investidor com foco financeiro, talvez um investidor-anjo brasileiro não seja exatamente a melhor opção. Em sua opinião, o que explica esta característica do investidor-anjo brasileiro? Qual a relação você faz com o investidor-anjo dos EUA, por exemplo?
JOÃO KEPLER
O engano está exatamente neste ponto; todos precisam de apoio - até os mais experientes - independente do seu estágio. O que fazemos é um SmartMoney. O que não se deve confundir é que o investimento-anjo não é um investimento tradicional, é principalmente mentoria, apoio, conselho, aval e networking; isso o empreendedor vai precisar sempre, independente do nível e modelo de negócio. Como eu digo, ter um anjo certo ao lado no momento ideal, pode mudar vidas e gerar grandes resultados.

Mas claro, tem aqueles empreendedores que querem somente dinheiro, mas realmente é difícil encontrar investidores-anjo com esse perfil no Brasil - desconheço um investidor brasileiro que aporte recursos em uma startup como se fosse em um CDB ou em Ações e fique apenas de longe torcendo para que valorize ou que aumente a correção do dinheiro investido. Nos Estados Unidos, isso é mais comum, pois os empreendedores são mais comprometidos com o dinheiro investido e se preocupam com os próximos rounds, ou seja, com o retorno/saída do Angel Investor.

Neste caso que o dinheiro é o único objetivo, aconselho a procurar fundos de investimentos, Venture Capital, subvenções econômica, empréstimos de médio e longo prazo ou programas de governo.


WIDE Você faz parte da Anjos do Brasil. Qual a principal missão desta organização?
JOÃO KEPLER
A Anjos do Brasil tem como objetivo fomentar o investimento anjo para o crescimento do empreendedorismo e da inovação no Brasil. Somos um grupo de investidores-anjo brasileiros que investe separadamente ou em cotas em um projeto específico.

Entrei nesta entidade por entender que precisava de conhecimento adicional, de trocar experiências para diminuir os riscos e para fazer networking com outros anjos. No começo, participamos de um pequeno núcleo de anjos no estado de Alagoas; logo em seguida começamos a incentivar outros núcleos estaduais, fiz diversas palestras pelo Brasil mostrando a importância do Investidor-Anjo no ecossistema do empreendedorismo e mais recentemente, fui nomeado como representante da região Norte/Nordeste.

"O capital intelectual dos fundadores faz toda a diferença"


WIDE Pela sua experiência, quais comportamentos - e ações - do empreendedor são analisados pelos investidores-anjo como fatores preponderantes para um casamento bem-sucedido?
JOÃO KEPLER
Investidores bem-sucedidos investem em pessoas e não somente em negócios. Investir no digital é investimento em capital intangível e, por isso, ter uma boa equipe na startup é fator fundamental para o sucesso da empreitada. O perfil e o capital intelectual dos fundadores faz toda a diferença no resultado.

No meu caso, gosto de empreendedores humildes e simples, com brilho nos olhos, instigados, com atitude, focados, que pecam somente pelo excesso. É deste tipo de fundadores de startups que a maioria dos investidores-anjo procuram.

De fato, a entrada de um investidor-anjo em uma startup é um casamento, uma união sem beijinho, é verdade, portanto, ter um contrato bem feito de participações, além do contrato social, com as previsões e possibilidades, direitos e deveres de cada parte, é fundamental.


WIDE Você pretende lançar em breve o livro "Quando os Anjos dizem Amém!?". O que mais lhe motivou a desenvolver este projeto e o que pretende abordar nesta publicação?
JOÃO KEPLER
Apesar de amplamente difundido, o perfeito entendimento é difícil para quem está recém-enveredado no assunto. Tudo é relativamente novo no Brasil, muito debatido no ecossistema empreendedor, mas ainda há muitas dúvidas, curiosidades e enganos. Foi isso que me levou a escrever este livro que será lançado em breve.

O "Amém" que tanto esperamos ouvir está no sentido de "ótimo, estamos juntos, vamos em frente, eu vou investir no seu projeto". Trata-se de empatia, objetivos comuns. O "Amém" é tão importante que transforma estimas, alavanca negócios e muda vidas.

Para isso alguns fatores são importantes para esta conquista mútua. Desenvolvi um método próprio que me ajuda nesse ponto, que passa pelo que eu chamo de minhas "três novas Leis de Kepler" para o investimento anjo que tem três pontos principais:
1) Match, 2) Ponto de Interesse, 3) Assertividade.

Além de verificar situações específicas, pontos fundamentais e uma fórmula que pontua cada item positivamente e negativamente, algumas perguntas são feitas ao empreendedor no contexto para mensurar o processo de investimento, como por exemplo:
Qual a oportunidade?
Qual é a o problema que seu negócio irá resolver?
Qual é a solução?
Como seu negócio irá atender a este necessidade?
Qual é o mercado?
Qual é o perfil dos clientes?
Quais recursos?
Quanto precisa de dinheiro, em quanto tempo e para quê?
Além de dinheiro, o que mais precisará?
Qual a receita estimada? Qual, como, em quanto tempo e de onde vem o ganho e a monetização?
Quem são os players de mercado?
Quem são os principais concorrentes diretos e indiretos?
Quais as hipóteses testadas?
Quais as barreiras de mercado?
Qual o estágio do projeto?
Inicial, MVP, pronto, faturando?
Qual a inovação?
Quais são suas diferenças com relação ao que já existe?
Qual o time?
Descreva um pequeno histórico de cada sócio, principais atividades e participações no negócio.


O que pretendo com este tema é ampliar o conhecimento para empreendedores e diminuir os riscos para investidores anjo.

Nada se compara à emoção e à sensação de investir em um negócio que resolva algum problema e que possa ser útil à sociedade. Se isso vem agregado à valorização do capital investido ou com uma remuneração do dinheiro maior do que o retorno nos investimentos tradicionais, melhor ainda. É nesse sentido e momento que os anjos dizem "Amém".

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