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Principais erros de uma startup
Entrevista com João Kepler
Por Tiago Bosco em 12/05/2014
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Gerir uma startup está longe de ser uma tarefa fácil. Até por isso, muitas acabam encerrando suas atividades no primeiro ano de existência. Quer saber os fatores que levam a este fracasso? Empreender pode ser uma habilidade aprimorada ao longo do tempo.

A Wide entrevistou João Kepler (@JoaoKepler), empreendedor serial, escritor e Investidor Anjo membro da @AnjosDoBrasil, que também comenta sobre a difícil decisão entre empreender sozinho ou procurar um sócio. Confira!



WIDE Empreender sozinho ou procurar um sócio? Como resolver este tipo de equação?
JOÃO KEPLER
No geral, não existe uma fórmula ideal para isso. O projeto pode ser de um único empreendedor ou de vários. O importante é ter capital humano suficiente para dar conta da demanda para o desenvolvimento da startup.

Olhando pelo lado do empreendedor, se a ideia é dele, consegue coordenar e construir tudo sozinho, tem recursos suficientes para bancar todo o desenvolvimento, estrutura e avanços, não é regra ter que procurar um sócio.

Porém, eu como investidor anjo, gosto muito mais do modelo de responsabilidade cooperada com um time de fundadores com características multidisciplinares que se complementam. Não gosto de depender somente de um empreendedor para o sucesso da startup investida.


WIDE Em sua opinião, quais os erros mais comuns cometidos pelas startups recém-criadas no Brasil?
JOÃO KEPLER
Poderia citar vários, mas relaciono aqui alguns que eu pontuo como os principais:

1) Não ter um protótipo;

2) Não validar o conceito e o modelo de negócio no mercado;

3) Demorar muito para colocar o produto no mercado;

4) Não pedir apoio ou ajuda para pensar o negócio;

5) Achar que já sabe tudo;

6) Insistir ao invés de persistir;

7) Não trabalhar seus clientes antigos;

8) Não ter custo mínimo e modelo enxuto, tratar a startup como uma empresa já estruturada;

9) Não ter disciplina para atingir seus objetivos.



WIDE Um empreendedor se depara com um investidor que quer controlar grande parte de seu negócio em troca de um avultado investimento. Em sua opinião, qual o melhor caminho a ser seguido neste tipo de situação?
JOÃO KEPLER
Depende muito do estágio do negócio e do momento do empreendedor. Já vi casos em que o empreendedor vendeu a maioria das ações e virou executivo, vi casos em que o empreendedor vendeu a maioria das ações e saiu da execução e foi para o conselho. Porém, em ambos os casos, logo na sequencia, montaram uma outra startup e continuaram empreendendo.

Quando a startup é a vida do empreendedor e o negócio depende basicamente do seu conhecimento e esforço pessoal, não vejo motivos para o fundador vender a maior parte das ações. Mas é claro, propostas acontecem e devem ser analisadas caso a caso. Eu, por exemplo, participo como Anjo em startups, no máximo com 30% do capital do negócio.


WIDE Em sua opinião, empreender é um processo/habilidade que pode ser aprimorado e desenvolvido ao longo do tempo?
JOÃO KEPLER
Existem vários tipos de empreendedores, que se diferem essencialmente nos estímulos, nas circunstâncias, na educação, no acesso aos instrumentos, na atitude, na capacidade para gerir e na disposição para correr riscos.

Aqui, vou me ater apenas a três tipos de empreendedores para responder esta pergunta:

1Empreendedor por Oportunidade - é normalmente uma pessoa que se deparou com uma oportunidade de negócio e tomou a decisão de mudar o que fazia na vida para se dedicar ao negócio próprio;

2 Empreendedor por Necessidade - o que cria o próprio negócio porque não tem alternativa. Geralmente não tem acesso ao mercado de trabalho ou foi demitido. Não resta outra opção a não ser trabalhar por conta própria;

3 Empreendedor Serial - é aquele apaixonado não apenas pelas empresas que cria, mas principalmente pelo ato de empreender. É uma pessoa que não se contenta em criar um negócio e ficar à frente dele até que se torne uma grande corporação
.


Indo diretamente ao ponto da questão, é possível aprender a empreender sim - é claro que para cada pessoa é preciso identificar algumas características preliminares para o desenvolvimento do espírito empreendedor - vocação, competências e comportamentos -, assumir riscos e a persistência, por exemplo, são características difíceis de ensinar, mas sendo empreendedor, sabendo o tipo em que se encaixa - por oportunidade, por necessidade ou serial, por exemplo - , existem sim processos específicos diferentes para educação, evolução e aprendizado.

Técnicas, ferramentas, conhecimento, habilidades, tudo isso pode ser aprendido em capacitação. Por isso, tantos empreendedores fazem cursos de gestão de negócios, planejamento financeiro, modelagem, técnicas de apresentação, pitchs, pesquisa de mercado etc. Nesse sentido, o empreendedorismo é sim ensinável.

"A nossa vocação ao empreendedorismo aflorou e apareceu, projetos globais e novos investidores surgiram"


WIDE De um modo geral, como avalia atualmente a "rede" de empreendimento tecnológico no Brasil (startups, aceleradoras, incubadoras etc.)? Estamos no caminho certo ou poderíamos já estar mais adiantados, dois passos à frente?
JOÃO KEPLER
De fato, um ecossistema empreendedor forte que estimula o desenvolvimento empresarial, pode fomentar o nascimento e crescimento de empresas de sucesso. Nesse sentido, acredito que estamos no caminho certo; os empreendedores brasileiros lutam contra todas as probabilidades, mas empreendem, apesar de todas as dificuldades encontradas por aqui.

Não estamos dois passos à frente, mas o movimento empreendedor no Brasil tem apresentado melhoria significativa nos últimos anos. A nossa vocação ao empreendedorismo aflorou e apareceu, projetos globais e novos investidores surgiram, o crescimento no volume de potenciais consumidores e aumento do acesso à tecnologia aconteceu. Essas foram as principais forças do atual ecossistema empreendedor nacional.

Mas precisamos ainda melhorar o modelo regulatório do Brasil que não acompanha com a mesma velocidade o movimento empreendedor. É preciso ainda simplificar o processo de apoio e criação de novas empresas; eliminar procedimentos burocráticos para a atividade empresarial em geral. É preciso desonerar o investimento em inovação; é preciso estimular e educação empreendedora, entre muitas outras coisas.

"Precisamos ainda melhorar o modelo regulatório do Brasil que não acompanha com a mesma velocidade o movimento empreendedor"


Sobre esta rede de startups, aceleradoras, incubadoras etc., na verdade, estamos formando fortes alianças de amparo, comunicação e cooperação entre os atores desse processo. Costumo dizer que essas parcerias são essenciais, pois a responsabilidade do funcionamento e evolução desse ecossistema é de todos e não se pode contar exclusivamente com o suporte do governo. Sejam os empreendedores, os educadores, os investidores, as famílias, as empresas de fomentos etc., cada um deve assumir seu importante papel neste desenvolvimento e evolução.

Eu acredito que o empreendedorismo é uma ferramenta de mudança do país - as MPEs já representam 20% do Produto Interno Bruto Brasileiro, são responsáveis por 60% dos 94 milhões de empregos. Acredito que a Economia Criativa e a Indústria do Conhecimento, que inclui as startups de tecnologia, é uma grande alternativa ao desenvolvimento econômico; acredito que apesar das dificuldades existe boa vontade e por isso estamos no caminho certo; acredito que cada vez mais empresas globais, como Venture Capital, academias, aceleradoras, eventos internacionais, se instalarão no Brasil e nós, por outro lado, ganharemos o mundo.

Nos próximos cinco anos teremos ainda muita coordenação e trabalho colaborativo para que o ecossistema brasileiro possa competir no nível da comunidade dos norte-americanos e israelenses, por exemplo.

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