
A revista Wide agora abre um novo espaço para vocês, leitores e colaboradores! Publicaremos aqui, em nosso site, entrevistas sobre como o nosso público observa o mercado digital. Para começar, conversamos com Cayo Medeiros, desenvolvedor com foco em front-end. Confira!
Qual a importância de se fazer presente através de perfis nas redes sociais?
Cayo: Na minha opinião, as pessoas não devem se preocupar em estar presente em diversas redes sociais, elas devem escolher as ferramentas e sites mais adequados ao seu perfil e utilizá-las da maneira que bem entender. Acrediro que não existe a maneira certa de se utilizar cada ferramenta de mídia social. Cada perfil encontra um uso para cada ferramenta e, quase sempre, a mesma pessoa utiliza a mesma ferramenta de diferentes formas, em diferentes momentos. Sendo mais objetivo, cito alguns dos benefícios mais comuns ao possuir uma presença ativa em alguma rede social:
Se você fala sobre assuntos relacionados ao seu trabalho, seja compartilhando links úteis ou apenas dando sua opinião sobre algum assunto, aos poucos irão associar a sua imagem ao seu ramo de trabalho e lembrarão de você quando precisarem indicar alguém para um freela, por exemplo. Além disso, quanto mais gente souber do seu trabalho, maior a chance de encontrar pessoas interessadas nele.
- Oportunidades surgem quando você menos espera: oportunidades para freelas, convites para palestrar em eventos, convites para participar de ações de marketing (dentro ou fora das mídias sociais), oportunidades de emprego, entrevistas, etc.
- Você começa a descobrir um novo mundo a partir do conhecimento das outras pessoas da sua rede: excelentes artigos, eventos na sua área que você nunca havia ouvido falar, ferramentas que podem facilitar a sua vida, blogs e sites de nicho e muito mais.
Resumindo os benefícios em poucas palavras: você aumenta a sua rede de contatos. E tudo que citei acima, falo com conhecimento de causa. Mas, acima de todos esses benefícios citados anteriormente, o maior valor de estar presente em perfis nas redes sociais é fazer novas amizades e conhecer pessoas incríveis que de outra forma você nunca conheceria.
Qual cargo você ocupa atualmente? Que tipo de atividade você desenvolve?
Cayo: O meu cargo atual é desenvolvedor client-side, porém, o que faço na minha empresa é algo bem mais amplo. Trabalho na equipe de inovação da MJV (www.mjv.com.br) e sou um dos dois responsáveis pelo laboratório de prototipação da empresa. Hoje em dia eu desenvolvo protótipos web ou mobile a partir de ideias que surgem através de pesquisas de campo e demandas de outros setores; fomento a cultura de colaboração entre os programadores da empresa (atualmente palestras internas, futuramente Dojos e Hackdays) e cuido da programação client-side de um ou outro projeto.
Atuo também como desenvolvedor front-end e especialista WordPress freelancer (www.yogodoshi.com.br). Gostaria de aproveitar o espaço também para divulgar que estou procurando parceiros (possíveis sócios) para o desenvolvimento de alguns projetos, designers ou programadores. Interessados, entrem em contato (no link acima).
Como você vê o mercado digital brasileiro? Onde ele pode melhorar?
Cayo: Na minha mera opinião, o mercado digital brasileiro está indo bem, crescendo cada vez mais, volta e meia ganhando destaque internacional e já somos reconhecidos internacionalmente como uma potência nesta área.
Porém, um ponto que ainda temos muito que melhorar é no apoio e incentivo às Startups. Semanas atrás acompanhei o Techcrunch Disrupt, provavelmente a maior competição de startups do mundo, e o que mais me impressionou não foi o Qwiki, uma Wikipedia baseada em storytelling, ou o Badgeville, que permite adicionar mecânicas de jogos à qualquer site. O que mais me impressionou é que algumas das startups que se apresentaram no evento, possuíam equipes inteiras desenvolvendo o produto há muitos meses e isso sem que ninguém soubesse do produto, sem lucrar um tostão sequer!
Nos EUA, existem diversas empresas, organizações, fundos de capital de risco e capital semente que investem e dão todo o apoio necessário para startup sair do papel e poder começar a andar sozinha. É isso que falta e faz muito falta aqui no Brasil. São poucas as empresas por aqui que dão esse apoio, iniciativas como a da Endeavor e da Aceleradora deveriam existir aos montes pelo país afora.
Qual livro (ou artigo, links) você indicaria? Por quê?
Cayo: Livros que indico:
- Para quem deseja abrir sua própria startup/ ferramenta online ou qualquer coisa do gênero, sugiro ler os seguintes livros: O Segredo de Luísa, Getting Real (que tem uma versão em português grátis online) ou o ReWork se você não for programador, Cauda Longa, A Estratégia do Oceano Azul e Grátis: o futuro dos preços.
- Programadores: Getting Real e Communicating design.
- Freelancers: A arte de fazer acontecer e Communicating design.
- Designers (que trabalhem com web): The Smashing Book, Communicating design, Call to action e Designing Web Interfaces (não achei o nome em português).
- Todo mundo: Pai rico, pai pobre.
Alguns links:
- Artigo do @marcogomes sobre Techcrunch Disrupt: O que Falta para o Brasil Atrair Mais Investimentos (http://migre.me/1XcqD) que rendeu uma bela discussão nos comentários.
- Blog do Dojo Rio (http://migre.me/1XcAf), convido a todos os programadores conhecerem, vale a pena participar.
- Startupi (http://startupi.com.br), excelente blog voltado para o mercado de startups de tecnologia, principalmente web.
- Small Acts Manifesto (http://smallactsmanifesto.org), um manifesto criado pelo pessoal do #HoraExtra (http://horaextra.org) que vale a pena ser seguido.
O que você achou da revista Wide? Em relação à linha editorial da publicação, qual tipo de assunto desperta em você maior interesse?
Cayo: Achei excelente. A princípio, confesso que fiquei preocupado em não dar certo, mas hoje em dia vejo muitos benefícios: ao invés de assinar duas revistas, assino apenas uma com um conteúdo ainda mais selecionado do que era antes; marketing e e-commerce ganharam um destaque maior, o que era merecido e o mais importante: ajuda a integrar o pessoal de tecnologia com o pessoal de design, pois acredito que os programadores devam entender um pouco de design, usabilidade, SEO e acessibilidade assim como os designers devem entender o mínimo de programação.
A seção da Wide que mais me interessa é a de tecnologia. Mesmo sendo formado em Design, sempre trabalhei com programação e sou apaixonado pelo que faço. Aproveito para parabenizá-los pela escolha dos artigos da edição de novembro/dezembro (que acabou de chegar aqui em casa) pois o artigo destaque da seção de tecnologia fala justamente da importância do front-end engineer, profissional que é muito valorizado no exterior mas pouco aqui no Brasil.
Aproveito também para pedir mais artigos ligados ao mundo das startups e empreendedorismo, pois a revista Wide tem uma grande força e pode ajudar e muito a mudar o cenário da web brasileira. A seção “portfólio -> agência” poderia, de vez em quando, ser “portfólio -> startup” e mostrar alguns produtos de startups brasileiras ao invés de sites e hotsites feitos para grandes marcas. #ficaadica ;D