Além da apresentação dos portfólios de 48 agências digitais de diferentes regiões do país, a edição de março da Webdesign apresenta uma entrevista exclusiva com representantes de associações digitais como ABRADi, ABRADi-RJ e ADBA, no qual são abordados temas como modelos para cobrança de serviços on-line, perfil de profissionais mais requisitados, média salarial, entre outros.
Dando continuidade ao assunto, conversamos também com Cláudio Coelho, presidente da APADi (Associação Paulista das Agências Digitais). Confira o resultado a seguir.
Wd :: Dois mil e duzentos e setenta e cinco. Esse é o número total de agências digitais atuantes no Brasil, segundo o Censo Digital 2009, realizado pela Associação Brasileira das Agências Digitais. Diante de sua experiência neste segmento, é possível apontar as principais vantagens e desvantagens, em termos técnicos, conceituais e de mão de obra especializada, das agências brasileiras em relação a outros mercados, como o norte-americano e o europeu?
Cláudio :: No mercado da comunicação tradicional, a criação brasileira tem espaço de destaque no cenário internacional. E isso acontece também na comunicação digital. Em termos técnicos, inovamos na criação, no conceito, mas muitos dos projetos desenvolvidos têm com base algo já executado lá fora. Especialmente projetos baseados em tecnologia Flash, que – excepcionalmente nesse caso – nossa escassez de mão de obra é muito grande, se comparada a outros mercados.
No Brasil, nossa mão de obra é muito barata, se comparada a outros mercados (com exceção do programador Flash, bem menos escasso do que lá fora). Outra diferença é a maturidade do mercado em relação à cultura do anunciante em investir em mídia on-line. As empresas de fora destinam, no mínimo, 15% dos investimentos em ações digitais, frente a outros meios.
Wd :: No documento sobre concorrência e avaliação de serviços digitais, preparado recentemente pela APADi, são descritos cinco tipos de perfis de parceiros neste segmento: freelancers, microprodutoras, agências de publicidade, fábrica de software e agências digitais. Diante dos critérios utilizados pela associação, quais são as características essenciais que uma empresa deve possuir para ser classificada como uma agência digital?
Cláudio :: Esse assunto foi muito polemizado e discutido dentro da APADi, sempre com questionamentos sobre quais associados poderiam – ou não – ser considerados agências digitais, uma vez que algumas empresas tinham foco no desenvolvimento (criação e/ou tecnologia) e, assim, não passariam de produtoras web, enquanto – baseado no modelo da publicidade tradicional - só as que autorizassem mídia seriam consideradas agências digitais.
Assim, em meados de 2009, a APADi fez um projeto o qual estudou todos os serviços prestados por empresas do setor e concluiu que temos dois tipos de agências digitais:
- Agências Especialistas: com especialização e posicionamento em áreas específicas do nosso mercado. Exemplo: Social Media, SEO, SEM, Tecnologia Web, Planejamento, Criação. Normalmente atuam com uma ou duas especialidades;
- Agências Full Service: posicionam-se no atendimento completo ao cliente. Exemplo: agências que fazem planejamento, criação, tecnologia e divulgação de uma ação para o cliente.
E a ABRADi também adotou com seus associados este mesmo conceito.
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