
Marcello Póvoa é sócio diretor da MPP Interativa
A corrida pela dominação do mercado de smartphones é uma das maiores guerras travadas na história de produtos e tecnologia. Apesar de tentativas que datam da virada do século, há somente alguns poucos anos smartphones surgiram como aparatos para navegar na web e executar tarefas computacionais verdadeiramente úteis para os consumidores. Finalmente o produto smartphone assumiu seu papel pragmático de utilidade real para os usuários, não por coincidência aproximadamente em paralelo à proliferação das redes 3G.
Trata-se de um mercado embrionário e como tal cresce incrivelmente rápido, em estado de rápida mutação. No universo móvel estamos possivelmente ainda longe da estabilidade característica de mercados maduros e longevos. A curva de penetração populacional da internet móvel consegue, até agora, a proeza de ser mais íngreme do que a curva de entrada da internet fixa (PC) nos lares e empresas globalmente ao longo do tempo. A má noticia é que ainda apenas algo como um quinto dos assinantes globais de celular tem um smartphone. A boa noticia é que ainda temos quatro quintos para crescer ( fonte: Morgan Stanley Research).
Estados Unidos e Europa já vendem mais smartphones do que celulares “comuns” e, de acordo com o Google, as buscas no site de busca por aparatos móveis mais que quadruplicaram em cerca de quatro anos. Dois entre três consumidores nos EUA usam um smartphone para tomar decisão durante uma compra, segundo dados do e-tailing group. Mesmo ainda não sendo um canal significativo para o volume de vendas direta no varejo eletrônico, o celular “esperto” já é um poderoso influenciador no ciclo de compras.
Não é de se estranhar que, com tanto potencial pela frente, jogadores pesos pesados da indústria tenham saído em disparada para conquistar este mercado. Desde fabricantes já especializados como Nokia, a parrudos dos eletrônicos como Sony, Samsung, LG – e, naturalmente, a turma da informática como Microsoft, Apple e Google.
Smartphones são computadores portáteis conectados à rede, que, além de todas as infinitas possibilidades de processamento de informação, também são usados como telefone. O cerne do desafio competitivo para projetar um grande produto está exatamente neste ponto, ou seja, estamos falando no final das contas em software e hardware. Isso dito, temos fundamentalmente duas linhas de estratégia: desenvolver o software (sistema operacional “móvel”) e deixar a arquitetura aberta para diferentes fabricantes de hardware, ou controlar o produto de “A a Z”, desenvolvendo o projeto do software mais hardware completamente integrados.
Os dois principais jogadores do mercado móvel atualmente são exemplos destas duas filosofias de produto e consequentemente modelos de negócio. O sistema Android, da Google, funciona em celulares fabricados por diversos fabricantes. Do outro lado do ringue, a Apple tem a proposta de controle total, assinando o sistema operacional (iOS) e o projeto do hardware – do chip ao desenho industrial.
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